A Negra Felicidade

Teatro
Caixa Cultural
30/01/14 a 02/02/14 -
Grátis

Cia. Alfândega 88 apresenta A Negra Felicidade na Caixa Cultural

A Negra Felicidade é o segundo espetáculo da Cia. Alfândega 88 e faz quatro apresentações na Caixa Cultural.

A peça não tem como ponto de partida um texto de teatro convencional. É fruto de pesquisa do grupo a partir de dois pilares de composição. O primeiro é um documento histórico: os autos de um processo judicial de 1870, em que uma mulher negra, escrava, de nome Felicidade, moveu uma ação na justiça do Rio de Janeiro contra seu senhor pleiteando sua liberdade.

O segundo é o Sermão de Santo Antonio aos Peixes, do padre Antonio Vieira, grande defensor da igualdade entre os homens e da abolição da escravatura. O espetáculo é calcado no contraponto entre a coisificação máxima do ser humano – a escravidão – e o profundo respeito à vida humana, pregado e defendido por Vieira.

Mas esse fato verídico, que por si só já é um resgate da nossa história, não é adaptado a uma dramaturgia convencional, pois os autos da ação de liberdade trazem uma questão fundamental da reflexão a ser feita: de um lado, a nossa familiaridade com a forma jurídica, reconhecida de imediato por qualquer um que já tenha tido algum contato com o aparato judicial (como ao alugar de um imóvel, por exemplo), de outro, o nosso estranhamento - ou repulsa - ao objeto dessa ação: a compra e venda de um ser humano.

Porém, é preciso considerar que, em 1870, o tema do processo não causava qualquer estranhamento. Será que daqui a 100 anos perceberemos como afrontosas ações que hoje soam tão naturais?

Teremos a capacidade de compreensão assim tão ofuscada pelo simples fato de sermos contemporâneos aos acontecimentos? Cometeremos, agora, o pecado da indiferença semelhante ao cometido pelos nossos ancestrais há tão pouco tempo?

Essas questões, que transcendem a pessoalidade e a temporalidade, são pontos crucias da reflexão: o homem como objeto de uso de outro homem.

A Negra Felicidade aponta para a triste pergunta: deve a felicidade ser calcada na derrocada do outro, seja ele um continente, um país, uma classe, um concorrente? A conciliação final no processo, quando Felicidade e sua mãe concordam em trabalhar por mais três anos como escravas domésticas para conquistar a liberdade definitiva da filha, parece abolir de vez o espaço de tempo entre aquele Rio de Janeiro e o atual.

Artistas e Créditos

  • Andy Gercker
  • Adriana Seiffert
  • Danielle Martins de Farias
  • Edson Cardoso
  • Elisa Pinheiro
  • Fernando Lopes Lima
  • Leonardo Hinckel
  • Rafael Mannheimer
  • Rita Fischer
  • Silvano Monteiro
Foto por: GUGA MELGAR
Caixa Cultural Cidade: São Paulo - SP Preço: Grátis Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro

Datas: 30 e 31 de janeiro, 1 e 2 de fevereiro de 2014
Horários: Quinta a domingo, às 19h15.
Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos

Caixa Cultural São Paulo

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